|
|
|
É 2005. Aperto o play. Depois de um instante silencioso, um cachorro me diz: A gente é o que é. Será que estou pirando? O CD segue. Baixo, percussão, violão, guitarra, berimbau, bases pré-gravadas. A batida eletrônica e a parte acústica, o grave que é indispensável no Rap. A composição é uma mistura de seleção de trechos e combinações de beats. Eu sinto o Samba, o Baião, o Blues. Eu ouço Rap, mas também percebo a moda de viola, o Funk, a Bossa Nova. O amigo leitor pode dizer: até aqui nada de novo. Eu pergunto: Quem disse que a novidade radical é a essência da arte? Lewis e DJ Wallace, ex -integrantes do grupo Potencial 3, nos respondem: com o grupo Cachorro Magro, seu projeto experimental para fazer uma ponte entre o Rap e outros ritmos, estes artistas criaram seu próprio caminho, temperando continuidade e ruptura, ousadia e tradição. Segundo o MC Lewis, a idéia veio depois que ouviram o som do disco "Jazzmatazz", do rapper Guru, e principalmente a música do grupo The Pharcydes "Otha Fish" (brazuca total), isso em 1995. Os fundadores do Cachorro Magro perceberam que podiam resgatar as raízes da música brasileira, assim como os artistas americanos fizeram com o Jazz.



