- Após alguns anos de tentativa para trazê-lo, finalmente, um dos criadores da Cultura Hip-hop estará revisitando nossa Terra Brasilis no mês de abril em uma mega turnê memorável: Afrika Bambaataa no Brasil!
- O Despertar de uma Cultura...
- 1973. Bairro do Bronx, Nova York...
- Em meio a um cenário de caos e violência promovido por gangues de rua em constantes disputas territoriais embaladas pelo mercado ilegal das drogas e das armas, surge uma proposta positivista que transformaria por completo a vida dos jovens desassistidos do gueto. ‘Este é o conjunto Bronx River Houses, o berço do hip-hop e o lar de Deus. Uma pequena Vietnã, que era tão perigosa que nem a polícia entrava. Havia muita violência entre gangues, o que gerou uma conscientização social. Foi por isso que fundamos a Zulu Nation. Tentamos transformar a afiliação às gangues em algo positivo. Começamos a organizar as pessoas na rua, os grupos de dança, os b-boys e as b-girls, os rappers e os grafiteiros para criar esta cultura’, relata o DJ Afrika Bambaataa, em entrevista ao documentário Scratch. Ex-líder de uma gangue conhecida como Black Spades, Bambaataa se tornou DJ e apreciador dos mais variados ritmos musicais da época, dentre estes o funk. Tendo toda sua criação constituída no lado sul do bairro, ele jamais esquecera a luta política dos líderes afro-americanos nos anos 60 (Louis Farrakhan, Malcolm X, Black Panthers, etc.), aproveitando tais preceitos para a criação de um novo estilo de vida voltado para os jovens de sua comunidade... Sendo assim, inspirado pelas block parties do DJ-imigrante jamaicano Kool Herc (que consistia num costume comum da ilha da Jamaica, onde animadas sound systens acopladas nas carrocerias de caminhões ou carros grandes, com enormes caixas de som circulavam em velocidade moderada por todo o bairro, arrebatando a multidão e estacionando em seguida em uma praça ou estacionamento para continuar a festa), e sua equipe de som batizada de Herculords, que lembrava a manifestação de um trio elétrico baiano, que reunia em suas intervenções muitos jovens talentosos com seus dons individuais, Afrika Bambaataa idealiza a Universal Zulu Nation.
- Com sua sede até os dias atuais na Escola Secundária Adlai Stevenson, sito à Avenida Sedgwick, 1520, no bairro Bronx, a Zulu Nation foi fundada no dia 12 de novembro com papel de associar a juventude local e adjacente às atividades culturais nela desenvolvidas. Atividades estas, praticadas bem antes de sua fundação por muitos de seus membros – dança (breakin’, poppin’, lockin’ e up-rockin’), arte plástica (graffiti), discotecagem (DJ) e rimas improvisadas (MCing) e compostas (Rapping) –, agora desenvolvidas sob o lema disciplinar Paz, Unidade, Amor e Diversão...
- 1974. Bairro do Bronx, Nova York...
- Percebendo que os adeptos da nova idéia necessitavam muito mais do que um lema para interagirem o quanto sociedade organizada, Afrika Bambaataa adota uma espécie de ideologia em parceria com os amigos DJs Kool Herc e Grand Máster Flash: surge então em 12 de novembro o ‘Hip-hop’, termo popular nos guetos americanos (movimentar os quadris e saltar – to hop e to hip, em inglês), que passou a identificar uma nova filosofia de vida que surgia. Desde então valores como consciência política, sabedoria, entendimento, liberdade, justiça, igualdade, paz, união, amor, respeito, responsabilidade e diversão, superação de desafios, economia, matemática, ciência, vida, verdade de fatos e fé tornaram-se os vieses morais dos adolescentes do bairro.
- Planet Rock, o divisor de águas das culturas urbanas...
- Afrika Bambaataa, ao lado de seu grupo, ‘The Soul Sonic Force’, em lança o single Planet Rock, em vinil compacto, pelo selo Tommy Boy Records, com o auxilio dos amigos e produtores John Robie e Arthur Backer (responsável também por produções inusitadas de nomes como New Order e Donna Summer). A seleção do seu repertório musical não foi nada comum: o grupo alemão Kraftwerk havia pesquisado um novo estilo de som através de computadores e, embora tivessem feito sucesso com a música Autobahn, foram tratados como uma moda passageira. Mas sua música encontrou uma oportunidade nas boates negras de Nova York. E assim, inspirado neste som eletrônico, Bambaataa, remixou o sucesso de Trans-Europe Express (do Kraftwerk) para criar Planet Rock, uma música que significaria o início de uma nova leitura para o lado musical da cultura hip-hop, caracterizada em um espécime de funk eletrônico com vocais de rap. Atingindo a marca de 600 mil cópias vendidas, só nos EUA, antes mesmo de se tornar um enorme apelo internacional, o estilo criado por Bambaataa ficou conhecido por electro funk, estilo de rap que mais tarde influenciaria o surgimento dos ritmos techno de Detroit, miami bass de Miami, o jazz mais moderno e o dance hall da Jamaica. Pode se afirmar também que o funk carioca é filho bastardo, inicialmente do electro e depois do miami bass.
- Se a história de Afrika Bambaataa lhe deixou ainda mais curioso para ver de perto o homem que transformou gerações de todos os cantos do planeta com sua proposta inovadora de inclusão social através da arte, então não perca a sua única apresentação pelo Rio de Janeiro, no dia 11 de abril, às 20h, marcando o segundo dia de sua turnê no Brasil. A noite de celebração da consciência ainda contará com as participações inusitadas de ‘Mr. Catra’, ‘B Negão’, ‘Shawlin’, ‘DJ Tamenpi’ e ‘DJ Castro’. A apresentação da noite ficará a cargo do ‘MC Don Negrone’.
- Peace, Unity, Love and Have Fun!