
“Carta aos Meus”, EP do MC Projota, é missiva sonora que mostra as contradições de quem vive nos subúrbios e aponta um norte para uma possível mudança. Realista e esperançoso, assim prossegue o rapper durante as oito canções do CD. Projota é mais um artista que mescla a estética atual com um discurso contundente, o instrumental sereno de “Carta aos Meus” valoriza cada palavra rimada. O rapper produziu seis das oito faixas do EP, que também conta com sons do DJ Caíque e do produtor A.G. Soares (Pentágono). As letras de Projota vão além da metáfora e do discurso de batalha do Freestyle, suas rimas se aproximam da experiência cotidiana. O MC explica,“isso é devido ao meu primeiro contato com o Rap, eu notei que precisava levar a influência de grupos como Realidade Cruel, Facção Central, SNJ e SP Funk e somar com as referências de artistas como Kamau, Marechal e Slim Rimografia”.
Ao estilo alternativo, Projota teve como objetivo lançar “Carta aos Meus”ainda em 2009. “Eu tinha um grupo com o Rashid, começamos juntos no Rap, o meu processo foi se desenvolvendo, foi ficando mais sério há dois anos e meio. Eu já trampava com o Apolo e com o Pedro Gomes, mas só quando eu lancei o single ´Quanto´, que teve 2.500 plays no Myspace, isso num curto período de tempo, eu percebi que estava pronto de fazer um EP”, relembra Projota, que conseguiu fazer a primeira remessa do EP graças à venda antecipada. “Minha produção é artesanal, queimo CD por CD, meu primo fez a arte e trabalha no meu site, pretendo trabalhar da mesma forma em meu próximo projeto, minha mixtape”, complementa o MC.
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Morador do Lauzane, na zona norte de São Paulo, Projota afirma que vive de sua música e já fez shows em diversas partes do país, o MC acredita que o Rap pode estar em qualquer lugar, mas não pode se concentrar apenas na região central da cidade. “O Rap saiu da periferia, nossa arte não deve ficar só no centro. Temos que valorizar as quebradas”, conclui. “Em Sampa, o som da juventude das quebradas é o funk carioca, mas vejo adolescentes em outras partes do país que admiram o Rap, muita gente curte Rap. O discurso do funk carioca fala o que os jovens querem né... Os caras querem pegar as minas. Então, segundo muitos, consumismo, moto, carro, essas coisas são pontes para chegar até as mulheres”. Consciente, Projota acredita na liberdade de expressão, no entanto, é contra a ideia de rimar qualquer coisa apenas para agradar e bombar nas pistas. “Chega até ser uma falta de respeito com as minas... Os caras falam que precisam empobrecer suas músicas para a mulherada se ligar no Rap. É o seguinte, se o som for bom, as pessoas vão curtir, prestar atenção e dançar. Eu faço o que acredito, cada um faz o Rap do jeito que se identifica”.
Entre gravações, apresentações e remessas do EP, Projota prepara o show de lançamento de “Carta aos Meus” e planeja a gravação de um videoclipe. Qual música será utilizada, quem produzirá o video? O MC deixa tudo em clima de mistério. “Eu ainda não posso revelar, mas tenho parceiros interessados em gravar um clipe, joguei o EP na mão deles, vamos ver no que vai dar”. “Carta aos Meus” é um trabalho consistente e alternativo que cabe muito bem num projeto de alguma grande gravadora. Projota deu o primeiro passo, tudo leva a crer que ele sabe o que quer.
Fonte: Central Hip Hop
Tracklist:
01. Carta Aos Meus
02. Garoa
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