Com novo disco, Racionais pode repetir fenôm
“Sessenta por cento dos jovens de periferia sem antecedentes criminais já sofreram violência policial. A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras. Nas universidades brasileiras, apenas 2% dos alunos são negros. A cada quatro horas um jovem negro morre violentamente em São Paulo. Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente”. A abertura em tom fúnebre de “Capítulo 4, versículo 3” tratou não apenas de imortalizar a canção, mas também o disco “Sobrevivendo no inferno”, que neste novembro de 2007 completa dez anos desde o lançamento, ainda como um dos maiores fenômeno do rap nacional. Em entrevista, Primo Preto falou sobre os efeitos do disco, criticou rádios e gravadoras e afirmou que o Brasil ignora o poder do mercado hip hop. Amigo de longa data de Mano Brown, produtor cultural voltado para o rap e a black music, ele falou também sobre o futuro. Garantiu que o novo disco de inéditas do Racionais – com previsão de lançamento em 2008 - pode repetir o sucesso de dez anos atrás. “Já ouvi três músicas, é muito bom. Eu acho que vai acabar acontecendo a mesma coisa que aconteceu com "Sobrevivendo", mas de uma maneira diferente. Vai bater recorde no YouTube, recorde de download.” Leia, abaixo, trechos da entrevista: Você acha que foi o primeiro CD de rap nacional, principalmente de São Paulo, que atingiu um outro público? Primo Preto – Eu acho que sim. Mas foi devido a um momento. A gente ganhou o VMB (prêmio da MTV) nesta mesma época, logo em seguida fomos para o exterior. Era um momento diferente. O que impulsionou tudo isso? Primo Preto – Eu acho que a música seria a última coisa. Era mais uma tendência de mercado. Porque, na verdade, o rap está aí o tempo todo. Se você ligar as FMs, você vai perceber que tem tocado rap internacional o tempo todo. Mas você coloca na MTV, está lá o KLB, e você não entende nada. Se você pegar todos os canais mundiais, campanhas de marketing, comerciais de televisão, tudo vem girando em torno do mercado hip hop, dos artistas negros, dos atletas. No Brasil, infelizmente, eu não consigo te explicar o porquê, mas a gente nega isso. O Brasil tem um grande mercado para o rap, mas as grandes companhias preferem fazer de conta que ele não existe. O rap não obedece a esse sistema jabalístico que se instalou no Brasil e essa é a dificuldade, eu acho. Há espaço para que o novo CD do Racionais refaça esse caminho de sucesso, chegue a vender de novo um milhão de cópias? Primo Preto – Um milhão de discos talvez ninguém nunca mais venda, porque agora são outros meios. Mas pode ter certeza de que o Racionais está vindo com novos métodos e novas tecnologias. Não posso falar diretamente o que é, mas vai superar todas a expectativas de venda, de internet. Já ouvi três músicas do disco novo, é muito, muito, muito bom. Eu acho que vai acabar acontecendo a mesma coisa que aconteceu no “Sobrevivendo”, mas de uma maneira diferente. Vai bater recorde de YouTube, recorde de download. Para ler a entrevista completa acesse Rapnacional.com.br

