quinta-feira, 13 de setembro de 2007

  • Escritor Ferréz entrevista Prof. Pablo
  • Ferréz: Como o Prof. Pablo consegui produzir o novo disco com tanta qualidade e num estilo muito diferente do primeiro, teve alguma referência?
Prof. Pablo: Na verdade houve muito trabalho, o disco é fruto de muito trabalho ele foi realmente esculpido, tudo foi muito pensando, as letras que em minha opinião sempre foram à parte mais importante do rap (pelo menos do rap brasileiro) estavam sendo deixadas de lado nesse momento que o rap ficou mais dançante, as pessoas começaram a se preocupar mais com esse detalhe e deixaram as letras de lado, eu não queria que isso acontecesse, eu enxergava esse disco como uma obra que tinha que sair perfeita em todos os seus aspectos, e a letra sempre foi o ponto de maior identificação pra mim (eu comecei me dedicando a parte de palestras e projetos sociais) por isso eu pensei muito pra fazer essas letras o processo de criação de um disco conceitual como esse é muito complicado e eu não podia perder boas musicas com letras que não tivessem o mesmo nível. E enxergo cada musica no rap como um único tiro onde você tem que passar diversão, reflexão e informação no mesmo momento, e para garantir tudo isso contei com a ajuda de um dos maiores produtores da musica brasileira o Lua Lafaiette (Fundo de Quintal, Alcione, Negritude Jr., Jamelão entre outros) que foi o responsável pela parte musical do disco, onde pesquisamos juntamente com o DJ Lycius tudo que existia na moderna musica negra mundial escutamos tudo rap americano, rap brasileiro, samba, salsa, musica cubana, raggae, reggaton, abrimos a mente pra chegar ao nosso conceito de fazer musica.
  • Ferréz: O que mudou no rapper e no homem Pablo desde o lançamento do Estratégia, seu primeiro disco solo?
Prof. Pablo: Na verdade após meu primeiro disco começou a aflorar um desejo de mudança, tudo começou como um sonho e depois foi se tornando uma grande realidade, extremamente gratificante, desde o lançamento do meu primeiro disco eu sabia que o meu segundo tinha que ser muito diferente, eu comecei a visualizar um disco muito mais elaborado e muito mais profissional, que marcasse as pessoas tanto pelo conteúdo que já era uma preocupação minha no primeiro trabalho como pela parte artística da coisa, e foi com essa proposta que cheguei até o Lua Lafaiette e ele aceitou prontamente participar do projeto, foi à fase de maior aprendizado que eu tive na minha carreira artística trabalhei com pessoas extremamente competentes e qualificadas o que mudou completamente minha percepção em relação a musica, sem contar as lições de vida que aprendi com essas pessoas, no sentido de acreditar num sonho e fazer acontecer uma vez que viver de musica no Brasil é muito complicado viver e ser reconhecido por isso muito mais e essas pessoas principalmente o Lua me mostraram que tudo isso é possível mais sempre de uma maneira muito simples e humilde, isso influenciou muito não só rapper como o homem hoje eu me sinto muito mais maduro e muito mais preparado pra enfrentar os obstáculos que temos pela frente tanto na vida particular quanto na vida profissional.
  • Ferréz: No principio com a faixa "Vai ficar Pequeno" passando por "Brilho da Noite” e chegando em "O dia vem", num tem sequer uma palavra negativa, como você conseguiu esse feito?
Prof. Pablo: Compromisso acho que essa é a palavra, compromisso com os negros, com os pobres, com os nordestinos com todos os excluídos, essas pessoas precisam de boas referencias bons exemplos, bons conselhos e não mais de coisas negativas e destrutivas infelizmente todo mundo já sabe da exclusão dessa parcela da sociedade o que todo mundo procura e o que fazer para acabar com tudo isso e foi isso que eu levei em consideração ao escrever todas as letras ao pensar no ceito do disco levo em consideração quando vou montar um show, o meu compromisso com essas pessoas. Ferréz: Blequisploiteixion é uma nova referência na música, isso não tenho dúvida, mas será que é um disco além do seu tempo ou está em sintonia com o melhor da Black music mundial? Prof. Pablo:Tomara que ele seja encarado como tal um disco além do seu tempo, minha proposta foi essa mesmo, fazer um disco diferente de tudo que existe e foi feito até hoje, eu não queria rótulos ou comparações queria sim ser reconhecido como o Professor Pablo e parece que isso está acontecendo, na verdade eu espera que as pessoas tivessem mais dificuldade para assimilar esse novo disco (pensei que o processo seria mais demorado), mais até agora as pessoas estão assimilando de imediato e o disco não recebeu uma critica negativa só positiva e de pessoas especializadas, estou muito feliz com tudo isso.
  • Ferréz: O positivismo do estilo Professor Pablo é um novo caminho para as
dificuldade que o rap está vivendo? Prof. Pablo: Sim o rap passa por um momento de reorganização, uma vez que ele se perdeu em vários propósitos, várias portas se fecharam porque deixamos de lado o raciocínio e fomos afoitos nas nossas intenções, hoje o rap vai ter que ser inteligente para conseguir chegar ao lugar que já deveria estar e não está por culpa nossa, afinal de contas nos que criamos as festas com 20 grupos, onde era impossível uma organização real e decente, nos que bloqueamos o nosso próprio acesso aos meios de comunicação em massa, tem rapper que até hoje fala que internet e coisa de boy, nos que reclamamos da indústria e nossos disco independentes chegam à loja no mesmo valor dos discos das grandes gravadoras, por isso que eu acredito muito no rap e espero continuar acreditando mais enquanto nos não tivermos atitudes mais positivas para com o nosso próprio publico nunca chegaremos a nenhum lugar.

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